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Taunay Valle ASHRAM |
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Mirra Alfassa - A Mãe
Entre os 12 e 13 anos teve uma série de experiências psíquicas e espirituais que lhe revelaram não apenas a existência de Deus, mas a possibilidade de encontrá-lo e revelá-lo integralmente em consciência e ação, e de manifestá-Lo na terra em uma vida divina. Isso, e uma prática para a sua realização foi-lhe dado durante o sono, por vários mestres, alguns dos quais veio a encontrar posteriormente no plano físico. Mais tarde o contacto com um desses mestres tornou-se cada vez mais claro e significativo e apesar do escasso conhecimento das filosofias indianas e religiões que tinha na altura, Mirra foi impelida a chamá-lo de Krishna. Desde então tomou consciência que seria com ele que ela deveria realizar o seu trabalho. Mirra estudou pintura e desenho e tornou-se uma pintora de talento tendo exposto ao lado de grandes artistas como Renoir, Cézanne e outros. Entre os 15 e 19 anos participou do Estúdio de arte
da Academia Julian (fundada por Julian Rodolphe em 1868, em
Paris. Embora muito jovem, ela foi procurada pelos estudantes
para mediar duas disputas. Ela era freqüentemente série e
manteve-se ocupada com seu trabalho e eles costumavam chamá-la
de esfinge. Seis das obras pela mãe foram exibidas no Salão da
Sociedade Nacional de Belas Artes. Por volta de 1906 conheceu Max Théon, um exilado polonês que era um grande ocultista, e sua esposa Alma, também altamente dotada espiritualmente. Eles moravam em Tlémsem, na Argéria, às margens do deserto do Saara. Esse encontro fortaleceu em Mirra a decisão de estudar o ocultismo em profundidade e os dois anos seguintes passou-os em Tlémsem. As suas experiências foram muitas nesse tempo, que lhe revelaram a existência de níveis de consciência, de seres e forças que normalmente não podemos conceber e também a possibilidade de controlar essas forças. Contudo sempre afirmava que o conhecimento oculto sem disciplina espiritual era um instrumento perigoso. Em 1910 casou-se com Paul Richard, um brilhante intelectual profundamente interessado na espiritualidade oriental e ocidental. Quando Richard voltou de uma viagem à Índia, Mirra soube da existência de Sri Aurobindo através dele e sentiu-se irresistivelmente atraída por aquele país. Participou em trabalhos de grupo sobre auto-conhecimento participando mesmo em palestras e discursos. A visão de Mirra projetava-se no futuro do destino do homem e no papel que desempenharia para apressar esse destino. Falava sobre vários temas não como divagações intelectuais mas como verdadeira busca espiritual. Esteve na Índia em 1914, Mirra encontrou-se com Sri Aurobindo reconhecendo-o imediatamente como o Mestre que lhe aparecia em seus sonhos e com o qual sabia ter forte ligação. Aceitou-o como guru e seguiu a sua disciplina, permanecendo e trabalhando a seu lado. Em Pondicherry ela ficou quase um ano e foi graças à sua colaboração e à de seu marido que o periódico “Arya”, no qual Sri Aurobindo escreveu a maior parte dos seus trabalhos, os mais notáveis, como a “Vida Divina”, “Síntesis do Yoga”, etc., começou a circular. Ao fim desse tempo o casal francês viu-se obrigado a voltar a Paris dada a eclosão da I Guerra Mundial. Voltou a Paris onde o seu casamento se desfez. Era o começo de uma nova etapa na sua vida na qual se encontrava com pessoas e grupos que estavam à procura da verdadeira espiritualidade, ela os ajudava a enfrentar os problemas da vida e do trabalho. Depois de passar os anos de guerra em França e no Japão, Mirra retornou à Índia em 1920, definitivamente, encontrando sérias dificuldades para reiniciar o seu trabalho no Ashram de Śrī Aurobindo uma vez que havia muita pobreza. Mas com a continuidade da edição do jornal “Arya” e pela personalidade do autor dos seus artigos o número de discípulos foram aumentando e foi tomando forma uma vida coletiva. Nos primeiros tempos e apesar de supervisionar tudo, Mirra, vivia recolhida, dedicada à séria disciplina espiritual. Em 1924, com a retirada de Sri Aurobindo a um aposento do Ashram, A Mãe tomou a direção prática da comunidade, que conduziu até sua morte. A Mãe ocupou-se em explicar o pensamento de Aurobindo aos discípulos em termos simples, ocupou-se em orientar e coordenar as diversas atividades do Ashram, e também a desenvolver um trabalho interior na busca dos ideais de Sri Aurobindo. Deixou também muitos trabalhos escritos, resultados também de suas vivências interiores. Tudo foi melhorando e em 1926, quando Sri Aurobindo se retirou do convívio com os seus discípulos para se dedicar por completo à sua prática de Yoga, Mirra assumiu a inteira responsabilidade de dirigir a comunidade, coordenando e orientando os discípulos com grande carinho e dedicação.
No princípio apenas os discípulos eram admitidos mas
depois muitas famílias e mesmo os filhos dos
discípulos começaram a mudar-se para o ashram e aos
poucos a atmosfera de austeridade que prevalecia
foi-se transformando e velhas barreiras foram
cedendo ante esse novo influxo. Mirra tinha agora
mais esse desafio: cuidar da saúde mental, vital e
física das crianças. No dia 17 de Novembro de 1973, a Mãe deixou o seu corpo físico, com a idade avançada de 95 anos. A notícia espalhou-se célere e dos quatro cantos do mundo acorreram seus admiradores e discípulos para prestar a última homenagem àquela que ficou conhecida como a Mãe, do ashram de Sri Aurobindo.
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